Alterações morfológicas e numéricas mais freqüentes em linfócitos  
 
Discorreremos agora sobre os linfócitos, continuando a nossa conversa em hematologia.
A contagem total e o diferencial de leucócitos podem auxiliar na determinação da causa, da severidade, da duração e do prognóstico de uma enfermidade.
As anormalidades no número de leucócitos devem ser sempre interpretadas em associação com a história, com o exame clínico, com outros parâmetros do hemograma e com resultados de testes diagnósticos adicionais.
A interpretação deve se basear nos números absolutos de cada tipo celular.
Os linfócitos reativos, caracterizados pela presença de grânulos citoplasmáticos arroxeados (granulações azurrófilas grosseiras) e/ou basofilia citoplasmática podem estar presentes em pequeno número em animais sãos. O seu aumento pode ser visto em animais jovens, em resposta à estimulação antigênica crônica ou após vacinação e em enfermos.
A estimulação antigênica dos linfócitos tipo B resulta em plasmócitos, capazes de sintetizar e liberar imunoglobulinas e não são normalmente encontrados na circulação.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Já que os linfócitos estão continuamente recirculando, um aumento ou uma diminuição no número destes não necessariamente reflete alteração na linfopoiese.
A linfopenia (diminuição absoluta no número de linfócitos circulantes) pode ocorrer nas seguintes situações.
Estresse: linfopenia associada a neutrofilia e eosinopenia e, ocasionalmente, monocitose.
Hiperadrenocorticismo e administração de glicocorticóides: além da diminuição da recirculação, há uma diminuição da meia-vida dos linfócitos por ação do cortisol.
Infecção viral (fase aguda): neutropenia associada a linfopenia pode ocorrer em gatos com leucemia felina ou imunodeficiência felina.
Quilotórax e linfangiectasia: por impedimento do retorno à circulação.
Terapia imunossupressora ou irradiação: por destruição de populações de linfócitos e/ou de células precursoras em medula óssea.
A linfocitose (aumento absoluto no número de linfócitos circulantes) pode ocorrer em diversas situações descritas abaixo.
Fisiológica: linfocitose concomitante com neutrofilia em animais sãos em resposta a exercício e excitação ( sendo comum em gatos irritadiços).
Idade: a contagem total de leucócitos é geralmente superior em animais jovens devido ao aumento absoluto de linfócitos, atingindo os valores de animais adultos por volta dos 6 aos 9 meses de idade.
Infecções crônicas: particularmente nas infecções que demandam uma resposta humoral, podendo haver um número aumentado de linfócitos reativos.
Hipoadrenocorticismo: inversamente ao que ocorre no hiperadrenocorticismo, há um aumento da meia-vida dos linfócitos.
Leucemias de linhagem linfóide e/ou linfomas: a proliferação de células linfóides na medula ou em tecidos gera células neoplásicas que não necessariamente se distribuem na circulação periférica, por isso linfócitos atípicos e até mesmo linfoblastos podem ou não ser observados no exame diferencial. Ainda, animais com tais neoplasias podem apresentar contagens aumentadas, normais ou até mesmo diminuídas.
Artefatos causados pela ação do EDTA em linfócitos: os linfócitos, quando expostos ao EDTA por tempo prolongado, podem apresentar atipias artefatuais que se mostram como vacuolização citoplasmática e lobulação nuclear. A atipia celular pode ocorrer em processos neoplásicos, quando há intensa resposta linfocitária ou ainda, como mencionado, ser meramente artefatual, sendo a avaliação de esfregaços a fresco, nos quais as células não sofreram ação do EDTA, a maneira mais confiável de se distinguir atipias de alterações artefatuais.


Paula Infanti Prado CRMV-SP 14.802

 
   
   
   
   
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