COLHEITA DE MATERIAL PARA ENVIO AO LABORATÓRIO-I  
 
1. Ouvido:

O "swab" (= zaragatoa ou cefanete) ótico é um dos materiais mais frequentemente enviado ao laboratório. Para a colheita da amostra clínica preconiza-se rigorosa antissepsia da face interna da orelha e meato acústico externo com algodão embebido em líquido de Dakin. Caso haja muitos pêlos na entrada do ouvido estes devem ser aparados com tesoura.
Estes procedimentos evitam que o "swab" seja contaminado por microrganismos que estejam aderidos por acaso ao exsudato produzido, mas não são o agente etiológico propriamente dito e sim componentes da microbiota transitória.
A seguir introduz-se o "swab" estéril no conducto auditivo realizando movimentos rotatórios. O "swab" deverá então ser colocado em tubo estéril, mantido em geladeira (= refrigeração) e enviado ao laboratório. Caso não seja enviado no mesmo dia acondicioná-lo em tubo com meio de transporte de Staurt
Se o animal apresentar otite bilateral utilizar um "swab" para cada lado ou escolher um dos lados, aquele mais comprometido clinicamente, para o envio.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Como otites podem ser causadas tanto por bactérias quanto por fungos leveduriformes solicitar ao laboratório a cultura para isolamento dos dois tipos de agentes. Solicitar ainda que sejam testados antibióticos que alcancem níveis elevados em pele e produtos de uso tópico.
Considerar que otites crônicas e recidivantes geralmente necessitam de tratamento sistêmico associado ao tópico e antibioticoterapia prolongada, nestes casos acompanhar funções renal e hepática dos animais, principalmente em pacientes com idade avançada. Reforçar ao proprietário a importância de sua participação para obtenção do sucesso, explicando a necessidade do cumprimento rigoroso dos intervalos de administração da droga e a não interrupção do tratamento.

2. Pele:

Para diagnóstico de agentes etiológicos de piodermites preconiza-se a tricotomia e anti-sepsia da pele com gaze estéril umidecida em solução fisiológica estéril, passada várias vezes, para remoção mecânica de sujidades grosseiras e de componentes da microbiota transitória. Passar então "swab" estéril sobre a lesão recolhendo e exsudato e enviar ao laboratório.
No caso de abscessos deve-se também realizar tricotomia, anti-sepsia com álcool iodado ou líquido de Dakin e punção com seringa estéril ou colheita com "swab" desprezando-se o exsudato mais superficial quando já supurados. Enviar sob refrigeração ao laboratório; algumas gotas de pus são suficientes.
Para diagnóstico de dermatomicoses promover um raspado superficial (não é necessário rompimento de vasos) o qual contenha escamas de pele e pêlos da região periférica da lesão. Colocar entre duas lâminas limpas ou coletor. Não é necessário refrigerar, pois esporos de fungos são extremamente resistentes e ficam viáveis durante meses à temperatura ambiente. Este tipo de colheita foi detalhadamente descrita no Informativo LAB&VET número 1.
Lembrar que piodermites úmidas podem ser causadas também por fungos leveduriformes, como Candida sp e Maiassezia pachydermatis e que muitas vezes pode ocorrer associação de bactérias e tais fungos.
Dermatites crônicas (incluindo pododermatites) refratárias a tratamentos antimicrobianos podem também ter associação de bactérias com Demodex canis, para o diagnóstico desses casos deve-se realizar um raspado profundo, sendo o produto desse colocado entre duas lâminas para pesquisar-se a presença do ácaro.



 
   
   
   
   
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