Os
tubos e seus mistérios
Plasma com EDTA? Soro? Sangue total? São as matérias-primas
do laboratorista e detentores de importantes informações para
elucidação e/ou monitoramento dos seus casos clínicos.
Mas para realmente ajudar seu paciente, os exames geralmente requerem amostras
adequadamente coletadas e acondicionadas. E aí está a importância
do tubo em que será colocada a amostra.
Para provas imunológicas e para a maioria dos exames bioquímicos,
nada melhor que soro. Usamos o tubo seco, isto é, sem anticoagulante,
de tampa vermelho-acastanhada. Desta forma descartamos a interferência
dos anticoagulantes nas reações bioquímicas. Mantenha
refrigerado. Para bilirrubinas, por serem degradadas pela luz, é
necessário proteger o soro da luz embalando o tubo em papel alumínio,
esparadrapo ou papel escuro.
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Para hemogramas,
o anticoagulante indicado é o EDTA (tampa roxa). Mesmo assim, provoca
alterações morfológicas nas células, por isso
preferimos extensões sanguíneas de sangue a fresco. Interfere
pouco nas contagens globais, desde que respeitado o volume necessário
de sangue para a quantidade de EDTA no tubo. Tem atividade bacteriostática,
contribuindo com a conservação da amostra, mas não
esqueça de manter a amostra em geladeira! Esqueça a heparina,
que pode aglutinar as hemácias e interfere muito na coloração
ao exame microscópico.
O fluoreto de sódio (tampa cinza) atua com anticoagulante preservativo
de glicose, inibindo o consumo de glicose pelas hemácias, garantindo
resultado fidedigno da glicemia. A glicemia só pode ser mensurada
em soro se este for recém-coletado e imediatamente centrifugado
e separado do coágulo, exatamente para evitar o consumo da glicose
pelas hemácias.
Plasma com citrato de sódio (tampa azul) é indicado para
algumas provas de coagulação e precisa ser centrifugado
e separado das hemácias em até 30 minutos depois da coleta
e mantido sob refrigeração.
Líquidos em geral devem ser coletados em tubo seco para análise
bioquímica e em tubo com EDTA para contagem celular (para evitar
a formação de coágulo ou fibrina, que interferem
na contagem por aprisionarem as células em suas malhas). Se puder
fazer uma lâmina com material fresco, seria o ideal, para preservação
da morfologia celular.
Falando em lâminas - sejam elas de sangue, líquido ou punção
aspirativa - acreditem, é apenas questão de treino! Garantem
a preservação da morfologia celular, o alvo de investigação
nestes exames. Lembre-se que o material deve estar bem fixado, então
seque-as bem ao ar (agitando-as como leque) antes de colocá-las
no porta-lâminas, para não perder as extensões e deixe
fora da geladeira.
A contagem de plaquetas é realizada em sangue com EDTA em tubo
plástico ou siliconizado. O tubo de vidro e a agitação
promovem a agregação plaquetária, interferindo no
exame. A coleta deve ser tranquila, o sangue deve vir facilmente na seringa
e imediatamente transferido para o tubo, homogeneizando o suficiente para
o sangue se misturar com o EDTA e não coagular. Deixe a amostra
em repouso, na geladeira. Garantida a qualidade da amostra, esta pode
esperar nosso motoqueiro chegar sem maiores preocupações.
O cuidado com o paciente deve extender-se à amostra, que é
um pedacinho dele. Bem trabalhada, por vocês e por nós, esperamos
a recuperação desse nosso amigo!
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