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No laboratório de apoio diagnóstico frequentemente obtemos
resultados positivos para Giardia sp., muito provavelmente por trabalharmos
diversas amostras de animais com sinais clínicos. Mesmo assim não
é raro o encontro deste parasita em fezes sem alterações
morfológicas. A eliminação discreta pode ser encontrada
nas fezes de animais clinicamente normais e muitos permanecem com o parasita
em estado latente por longos períodos. Por vezes até ouvimos
ao telefone, "Ai, que saudade de um ancilostoma" ou "Giardia
de novo, eu já tratei e agora ?" ... A Giardia é um protozoário
muito bem adaptado, e portanto, difícil de ser controlado, já
que o sucesso do tratamento também depende de medidas de manejo e
controle. Parasita em várias classes animais atinge herbívoros,
carnívoros e omnívoros. O suprimento de água é
a via mais implicada na transmissão para humanos. Entre os animais,
além do acesso à água contaminada, o próprio
comportamento torna mais intensa a relação com o ambiente
e a possibilidade de infecção, já que os cistos são
infectantes assim que eliminados.
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Os mecanismos
imunes num animal variam durante a vida, com possível redução
ou perda temporária da imunidade protetora frente a novas cepas
com virulência maior ou menor, em condições de estresse,
alterações de dieta, e em imunossuprimidos ( por tratamentos
com corticóides ou por doença).
Temos ainda que considerar fatores ambientais favoráveis ou desfavoráveis.
Os cistos resistem melhor em águas de temperaturas frias e em locais
úmidos com baixa insolação permanecendo até
por meses no ambiente. Nós veterinários, ao preconizarmos
medidas de manejo e desinfecção, devemos estudar as alternativas
aplicáveis no local. Por exemplo, para cães e gatos a remoção
de fezes deve ser intensificada. Se há cobertura vegetal, além
de dificultar a remoção de fezes, o uso de desinfetantes
quaternários ( por 20-30 minutos) e de vapor ou água fervente
utilizados facilmente em pisos frios, são medidas impossíveis.
Longe de destruirmos todos os jardins devemos, então, considerar
estas áreas como sendo de risco, com acesso restrito ou impedido
por 30 dias. Em eqüinos e ruminantes, teremos que nos valer de rotação
de pastagens (30 dias sem pastejo), limpeza de comedouros e bebedouros
e controle da qualidade da água.
Se os cistos resistem e ganham a via oral atingem o trato gastrointestinal,
alguns driblam o sistema imune e chegam ao intestino delgado onde desencistam.
Cada cisto maduro libera 2 trofozoítas que rapidamente se duplicam
em muitos e aderem às células epiteliais da mucosa, vão
se alimentando e se dividindo sucessivamente, com isso interferem na absorção
de nutrientes, notadamente de gorduras. Fezes típicas são
descritas como claras, untuosas e amolecidas. Se o trânsito intestinal
for muito rápido e tivermos fezes líquidas, os trofozoítas
que se desprendem da mucosa podem ser visualizados logo após a
eliminação e a assim que chegam ao ambiente começam
a encistar. No caso de trânsito mais lento, esses têm tempo
de se encistarem e são visualizados como cistos. Por vezes temos
fezes com estrias de sangue e muco intenso, sinais de irritação
do intestino grosso, embora as giardias não colonizem essa porção
do trato. Falamos muito em diarréia, episódios de emese,
mas que na giardíase podemos também ter períodos
de constipação. Havendo a suspeita, ou para triar animais
portadores, a visualização dos trofozoítas e cistos
em exames coproparasitológicos seriados ainda é a forma
mais barata de se fazer o diagnóstico. O hemograma não é
instrumento de grande auxílio, pois raramente ocorre discreta eosinofilia
e/ou anemia moderada. O intercâmbio de informações
entre o clínico e o laboratório pode ser importante para
o estabelecimento de parâmetros que balizem o controle desse parasita
em um indivíduo ou em criações animais
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