Soroconversão como ferramenta para diagnosticar doenças transmissíveis  
 
Quando agentes estranhos como bactérias, vírus, protozoários ou helmintos
adentram o organismo animal, as células apresentadoras de antígenos (macrófagos) fagocitam, digerem e enviam para sua membrana citoplasmática fragmentos proteicos destes. Na seqüência, linfócitos T auxiliares reconhecerão estas proteínas estranhas e desencadearão dois tipos de resposta imune: a celular e a humoral.
Como trataremos de soroconversão, ou seja, das modificações que ocorrem na quantidade e tipos de anticorpos presentes na corrente sangüínea durante o transcorrer da doença, discutiremos aqui somente a resposta humoral.
Os linfócitos T auxiliares, ativados pela apresentação dos antígenos (proteínas estranhas) realizada pelos macrófagos, irão por sua vez ativar os linfócitos B a se transformarem em plasmócitos: células que circulam na corrente sangüínea e são produtoras de anticorpos. Dessa forma a morfologia, detectada através da visualização destas células em um hemograma, permitirá ao técnico experiente diferenciar o linfócito normal de um linfócito reativo ou plasmocitóide, este último indicando que o animal está respondendo a um estímulo estranho (vacina, doença infecciosa, doença alérgica, etc).

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Vários tipos de imuneglobulinas (anticorpos) são produzidas, destacando-se a IgM e a IgG, sendo a IgM a primeira a surgir e possuindo capacidade de ligar-se a proteínas estranhas para neutralizá-las de modo pouco específico, como se o organismo tentasse livrar-se o mais rápido possível do antígeno que induziu sua produção e indica infecção recente.
A seguir surge a IgG, extremamente específica e com poder muito mais direcionado para neutralizar a agente estranho. Para diagnosticar doenças infecciosas, portanto, a IgG é a imuneglobulina indicada a ser mensurada devido à sua especificidade.
Quando um animal fica doente, ou seja, passa a apresentar sinais clínicos, temos que imaginar milhões de agentes estranhos agindo, sendo fagocitados e gerando uma produção crescente de anticorpos circulante. Assim, se medirmos a IgG em um dia e novamente alguns dias depois, esperaremos encontrar uma quantidade maior na segunda medição, pois estará ocorrendo um processo dinâmico. Um título 3 a 4 vezes maior na segunda medição indicará doença infecciosa em curso.
Por outro lado, se vacinarmos um animal, imaginaremos o mesmo tipo de resposta, porém muito mais amena, sendo que o segundo título anticórpico somente alcançará níveis vacinais.
Se suspeitarmos de uma doença infecciosa para a qual o animal já tenha sido vacinado, diferenciaremos se é título vacinal ou doença pela sorologia pareada, que permite verificar se houve soro, ou seja, se o segundo título for igual ou inferior ao primeiro, considera-se vacinal e se for três ou quatro vezes maior detecta-se doença em curso.
Um título zero não indica um animal negativo, pois poderíamos estar medindo exatamente em um momento onde a quantidade de anticorpos ainda não tivesse atingido nível mensurável pelo teste diagnóstico e portanto a segunda medição seria definitiva para confirmar manutenção de ausência de anticorpos ou surgimento de título.
Ainda, um título muito alto poderá ser associado a sinais clínicos patognomônicos para conclusão de doença, porém se o animal não apresentar sinais claros ou se estiver saudável, mesmo um alto título indica apenas que teve contato com o próprio agente e convalesceu ou que é um ótimo respondedor à vacinação.
Muitas outras particularidades podem ser discutidas em relação à soroconversão, pretendendo-se aqui apenas lançar a idéia de tão preciosa ferramenta a ser utilizada em nosso dia a dia visando o diagnóstico!

 
   
   
   
   
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